terça-feira, julho 29, 2025

Mídia e Educação: a interferência da televisão no imaginário social do Jovem em reinserção escolar - Parte I

            A comunicação e a troca de informação, sempre foram, em todas as sociedades, os motivos pelo qual a cultura pode se organizar e evoluir.
            Em qualquer sociedade, instituição ou grupo social há aqueles que são capazes de conduzir e defender ideologias e há aqueles que são passivos a condução, e, os meios de comunicação de massa, podem facilitar a difusão da informação seja ela qual for, se totalmente ideológica, política ou educativa.
            Ao observarmos os meios de comunicação de massa, constata-se a extraordinária gama de interesses políticos e econômicos, que a cada dia sustenta e amplia a indústria da comunicação, divulgando e propagando ideologias que são de forma geral de cunho capitalista.                                                                                                                                                                                                                                                                    
            De certa forma, os meios de comunicação de massa, não cumprem seu papel, o que podemos considerar essencial: possibilitar às instituições sociais o fácil controle de mensagens que estabelecem a realidade, sócio, político e cultural.
            Por meio da comunicação (de massa), se pode tornar, em último fim, os grupos sociais conscientes de seus respectivos papéis na sociedade e possibilitar-lhes a compreensão do espaço que o ocupam, levando-os a entender as múltiplas diferenças em seu convívio social, incorporando acima de tudo, sua organicidade, sem a qual não lhes é possível uma ação ordenada e totalmente produtiva.                                                                                                                      
            O ato comunicativo, portanto, está interessado em funcionalizar os efeitos pretendidos, interligando o comunicador às disposições do destinatário, deixando claro assim, a estreita relação entre sociedade e comunicação, podendo por meio da eficácia dos instrumentos do sistema comunicativo em vigência, determinar o estágio civilizatório e educativo de um povo.
            Para muitos, a escola não passa de um lugar cansativo, o que procuramos trazer a tona e quebrá-las, muitas vezes de forma desordenada. As práticas de consumo vigente, no entanto, necessitam de algumas horas de TV e Internet para “enfeitiçá-los”.
Em busca de uma audiência fiel, e conseqüentemente diversa patrocínios, os meios de comunicação desenvolveram estratégias e fórmulas de sedução mais e mais aperfeiçoadas, num ritmo totalmente frenético e persuasivo, mexendo com o nosso emocional, com nossas fantasias, desejos, instintos. Passando com uma incrível facilidade do real para o imaginário.
A década de 1990 foi um período digamos que de ápice para a televisão, onde de certa forma ela estendeu seu domínio no que diz respeito à comunicação de massa, tornando-se uma das (se não a primeira) maiores fontes de informações no mundo.                                                              
No Brasil, em uma pesquisa feita pela UNICEF (1996), havia 92 canais terrestres de TV, 253 canais de TV via satélite cabo/pagos, 209 aparelhos de TV por 1000/habitantes, bem como 8% da população com acesso a TV a cabo e 8% com acesso a TV via satélite.
            O interessante seria, antes de decorrer o assunto principal, procurar esclarecer a realidade de uma TV aberta, políticas de classificação e horários para programas infanto-juvenis (educativos) e propagandas comerciais que interferem e influenciam o imaginário social da criança e do jovem. O primeiro problema a ser discutido seria: o grande número da população brasileira com acesso apenas aos canais populares (TV aberta), sendo que deles, um único (isso em São Paulo) é público com programas educativos e não só de entretenimento; no âmbito desta problematização, encontramos a dificuldade dos pais em ensinar e cuidarem para que seus filhos saibam e tenham boas orientações acerca dos programas certos e assistam TV na hora certa, pois a infiltração dos mesmos no imaginário dos jovens pode fazer com que incorporem uma realidade desproporcional a sua, bem como alienação ao consumo, e competição proposto pelo capitalismo.
Com poucos interessados em criar políticas públicas que possam privilegiar horários de programações aos jovens, temos nos deparado com propagandas e programações direcionadas às crianças e adolescentes, que demonstram pouca preocupação com o processo educativo e civilizatório dos mesmos. Seria importante e necessário trabalhar em prol de classificações que restrinjam a invasão cognitiva da criança e do adolescente, fazendo-os a compreender interesses inapropriados ao seu desenvolvimento, interesses manipuladores que sugerem uma realidade no imaginário social da criança, onde as mesmas, já com a idade de 8, 9 anos não têm ações e interações como deveriam ter, próprias de sua idade, mas incorporam personagens e costumes diferentes de sua realidade e alcance, isso pensando no inadequado ao seu desenvolvimento cognitivo e abstrato.
Quando transcorremos o assunto “políticas públicas”, principalmente o que diz respeito à melhora dos espaços educacionais, melhor formação do magistério, recursos pedagógicos de qualidade e o incentivo da escolarização juvenil, seria ótimo salientar que a mais de duas décadas, grande parte do público atendido nos programas de alfabetização escolarização de jovens a adultos eram pessoas maduras ou idosas, sendo uma maioria advinda da área rural, que jamais haviam obtido oportunidades escolares. A partir dos anos 80, os programas de escolarização de adultos passaram a acolher um novo grupo social constituído por jovens de origem urbana, cuja trajetória escolar anterior não pode ser bem sucedida, desse modo, é compreensível a existência de fatores subjacentes a uma realidade comum do grupo desses jovens, pois a presença deles nesses programas deixa-nos curiosos, devido a uma desistência anterior da vida escolar e um novo olhar para a possibilidade de se ascender intelectualmente, institucionalmente e socialmente.
O primeiro grupo vê na escola uma perspectiva de integração sociocultural; o segundo mantém com ela um relação de tensão e conflito aprendida na experiência anterior. Muitos se enxergam como pessoas causadoras de problemas ou que estão inseridos em um grande problema, e, precisam agora, superar todas essas dificuldades.
           Esses dois grupos distintos de trabalhadores de baixa renda encontram-se nas classes dos programas de escolarização de jovens e adultos e colocam novos desafios aos educadores, que têm que lidar com universo muito distinto nos planos etários, culturais e das expectativas em relação à escola. Assim, os programas de EJA, que atualmente se estruturaram para democratizar oportunidades formativas a adultos trabalhadores, de algum modo vêm se desestabilizando, na medida em que passam a cumprir funções de aceleração de estudos de jovens com defasagem série-idade e regularização do fluxo escolar, desse modo, esse assunto não só pode como deve ser considerado de importância para um país em desenvolvimento como o Brasil, bem como às demais instituições responsáveis pela educação.

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